Quinta-feira, Novembro 13, 2008

Gedeão

Mãezinha

A terra de meu pai era pequena
e os transportes difíceis.
Não havia comboios, nem automóveis, nem aviões, nem mísseis.
Corria branda a noite e a vida era serena.

Segundo informação, concreta e exacta,
dos boletins oficiais,
viviam lá na terra, a essa data,
3023 mulheres, das quais
45 por cento eram de tenra idade,
chamando tenra idade
à que vai do berço até à puberdade.

28 por cento das restantes
eram senhoras, daquelas senhoras que só havia dantes.
Umas, viúvas, que nunca mais (oh! nunca mais!) tinham sequer sorrido
desde o dia da morte do extremoso marido;
outras, senhoras casadas, mães de filhos…
(De resto, as senhoras casadas,
pelas suas próprias condições,
não têm que ser consideradas
nestas considerações.)

Das outras, 10 por cento,
eram meninas casadoiras, seriíssimas, discretas,
mas que por temperamento,
ou por outras razões mais ou menos secretas,
não se inclinavam para o casamento.

Além destas meninas
havia, salvo erro, 32,
que à meiga luz das horas vespertinas
se punham a bordar por detrás das cortinas
espreitando, de revés, quem passava nas ruas.

Dessas havia 9 que moravam
em prédios baixos como então havia,
um aqui, outro além, mas que todos ficavam
no troço habitual que o meu pai percorria,
tranquilamente no macio sossego, às horas em
que entrava e saía do emprego.

Dessas 9 excelentes raparigas
uma fugiu com o criado da lavoura;
5 morreram novas, de bexigas;
outra, que veio a ser grande senhora,
teve as suas fraquezas mas casou-se
e foi condessa por real mercê;
outra suicidou-se
não se sabe porquê.

A que sobeja
chama-se Rosinha.
Foi essa que o meu pai levou à igreja.
Foi a minha mãezinha.

Hoje

Passamos dias a aconselhar os outros sobre como fazer isto e aquilo. Passei dias a sugerir aos outros como encarar o sofrimento e as nossas dores e dos familiares. Mas só quando passamos mesmo pelas coisas é que as entendemos.

Domingo, Setembro 14, 2008

MORNING AT THE WINDOW

They are rattling breakfast plates in basement kitchens,
And along the trampled edges of the street
I am aware of the damp souls of housemaids
Sprouting despondently at area gates.
The brown waves of fog toss up to me
Twisted faces from the bottom of the street,
And tear from a passer-by with muddy skirts
An aimless smile that hovers in the air
And vanishes along the level of the roofs.
T.S. Eliot

Carpe Diem


O mistress mine, where are you roaming?
O stay and hear! your true-love's coming
That can sing both high and low;
Trip no further, pretty sweeting,
Journey's end in lovers' meeting--
Every wise man's son doth know.

What is love? 'tis not hereafter;
Present mirth hath present laughter;
What's to come is still unsure:
In delay there lies no plenty,--
Then come kiss me, Sweet and twenty,
Youth's a stuff will not endure.

William Shakespeare

12:51

Talk to me now I'm older
Your friend told you 'cause I told her
Friday nights have been lonely
Change your plans and then phone me.

We could go and get 40s
Fuck goin' to that party
Oh really, your folks are away now?
Alright, let's go, you convinced me.

12:51 is the time my voice
Found the words i sought...
Is it this stage I want?

The world is shutting out...for us.
We were tense for sure,
But we was confident...

Kiss me now that I'm older
I won't try to control you
Friday nights have been lonely
Take it slow but don't warn me

We'd go out and get 40s
Then we'd go to some party
Oh really, your folks are away now?
Alright I'm coming...

I'll be right there.

The Strokes - 12:51


Aimee Mann . Save Me


You look like
A perfect fit
For a girl in need
Of a tourniquet

But can you, save me
Come on and, save me
If you could, save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone

'Cause I can tell
You know what it's like
The long farewell
Of the hunger strike

But can you, save me
Come on and, save me
If you could, save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone

You struck me down
Like Radium
Like Peter Pan or Superman

You will come to save me
C'mon and save me
If you could, save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
'Cept the freaks
Who suspect they could never love anyone
But the freaks
Who suspect they could never love anyone

C'mon and save me
Why don't you save me
If you could save me
From the ranks of the freaks
Who suspect they could never love anyone
'Cept the freaks
Except the freaks
Who suspect they could never love anyone
Except the freaks who could never love anyone

Aimee Mann - That's just what you are

In our endeavor
We are never seeing eye to eye
No guts to surface
So forever may we wave goodbye
And you're always telling
That it's my turn to move
When I wonder what could make the needle jump the groove
I wont fall for the oldest trick in the book
So don't sit there and think
You're off of the hook
By saying there is no use changing
Cause that's just what you are
That's just what you are
Acting steady
Always ready to defend your fears
What's the matter with the truth
Did I offend your ears
By suggesting that a change might be a thing to try
It would kill you just to try and be a nicer guy
Its not like you would lose
Some critical piece
If somehow you moved point A to point B
Maintaining there is no point changing
Cause that's just what you are
That's just what you are
Now I could talk to you till I'm blue in the face
But we'd still run around the very same place
With you running around
Put me out of the race
So maybe you're right
Nobody can take
Something older then time
And hope you could make it better
That would be a mistake
So take it just so far
Cause that's just what you are
That's just what you are
That's just what you are
Acting steady
Always ready to defend your fears
(That's just what you are)
What's the matter with the truth
Did I offend your ears
(That's just what you are)
When you're sleepwalking it is a danger to wake you
(That's just what you are)
Even when it is apparent where your actions will take you
(That's just what you are)
And that's just what you are
And that's just what you are
That's just what you are

Sábado, Setembro 13, 2008

7mbro

David Sylvian

Segunda-feira, Junho 02, 2008

Há vida para além da bola

Esta semana acertamos agendas para não incomodar o reino da bola e continuamos a fazer coisas. Assim, logo que acabe a conferência de imprensa da Selecção, esta quarta-feira dia 4, O Contador vai estar em destaque na emissão regional de Coimbra do Rádio Clube Português.
No fim de semana, enquanto a bola não rola, o livro "A história do Zeca Garro" vai estar a ser contada em diversas lojas FNAC:

7 de Junho
11h30 - FNAC do Gaia Shopping
16h00 - FNAC Santa Catarina, Porto
8 Junho
11h30 - Norte Shopping, Matosinhos
15h00 - FNAC Braga

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Especial Dia da Criança – livros em promoção

A Editora O Contador de Histórias volta a oferecer uma promoção para encomendas via Internet. Esta semana, assinalando o Dia Internacional da Criança apresentamos um pacote de 4 títulos a preço reduzido:

Lua do Mar – Nuno Garcia Lopes e Mafalda Milhões (sugerido pelo PNL)

O livro de pentear macacos – Nuno Garcia Lopes e Prina

O livro de dar corda aos sapatos – Nuno Garcia Lopes e Prina

A história do Zeca Garro – Filipe Lopes, Carla Goulart Silva e Bernardo Carvalho

PVP – 31,50€ Preço Promocional – 22,05€

Promoção válida para encomendas através do email promo@ocontadordehistorias.com recebidas até ao dia 6 de Junho 2008. Deverá enviar a indicação “Encomenda Pacote Dia da Criança”, nome, morada e número de identificação fiscal. Os livros são enviados à cobrança sem qualquer acréscimo de preço.

Conheça as obras em www.ocontadordehistorias.com/editora.html.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

Alice

Amanhã saio da modorra dos últimos tempos para aceder a um convide. A propósito do Dia do Autor Português fomos convidados para ir à Escola Sta. Iria, em Tomar, falar sobre o assunto. Calhou-me discorrer sobre Alice Vieira. Nada mais estimulante.
Fui pegar num dos meus livros preferidos da infância, Rosa Minha Irmã Rosa, e deparei-me com a dedicatória "com amizade" nas primeiras páginas. 23 de Abril de 1991 e a autora tinha ido à minha escola, era eu já um adolescente. Lembro-me da imensa vergonha de lhe estender o livro para autografar... porque uma colega tinha passado a hora anterior a pintar-me as mãos com uma caneta magenta (não perguntem, naquela altura fazemos coisas estranhas...) que não saia com a lavagem. E foi assim que me cruzei com a Alice pela primeira vez.
Falo sempre com carinho deste Rosa Minha Irmã Rosa, mas há bastante tempo que não o relia. Acho este excerto delicioso:

"A minha irmã nasceu há quatro dias. É muito feia, tem a cara toda às rugas e eu ainda não estou muito certa se gosto dela ou não. Pelo menos penso que nunca vou gostar dela como gosto da Rita, que mora na minha rua e é a minha melhor amiga. Como diz a avó Elisa, a família aumentou. Só que eu gostava que a gente pudesse escolher a nossa família tal qual escolhe os amigos. Porque assim eu havia de gostar da família inteira. E nela estariam a mãe, o pai, a avó, a Rita, o Pedro, o sr. João da tabacaria, que às vezes me dá mais uma carteira de cromos do que aquelas para que chega o dinheiro que levo.
Mas não da tia Magda, que só tem boca para palavras azedas, e só gosta de flores caras com nomes complicados, como os antúrios e as estrelícias, que a minha mãe lhe compra no dia de anos. Quando estou triste, gosto de ter flores ao pé de mim. Mas não é preciso que cheirem ou que tenham pés muito altos a dormir na montra das floristas. Só é preciso que estejam ao pé de mim. Que eu olhe para elas e sinta que estou tão acompanhada como se fossem pessoas. Sinto que há flores que nunca me poderiam fazer companhia. Os antúrios e as estrelícias, por exemplo, a delícia da minha tia Magda."

Alice Vieira, Rosa Minha Irmã Rosa, Editorial Caminho, 1979


Obrigado Alice

Terça-feira, Abril 22, 2008

Dia do Livro

A propósito do Dia do Livro, O Contador de Histórias vai ter referência na rádio. Ao longo do dia nos noticiários da Rádio Renascença e também na emissão para a região centro do país, no Portugal em Directo da Antena 1, depois das 13 horas.